Arquivo do mês: fevereiro 2011

Relembrando a pernada

Que o trekking até Plaza Francia foi dureza todos já sabem. Esse pessoal aí é americano, fortes e saudáveis caminhantes. Das 9 pessoas que se vê aí, apenas 5 chegaram até Francia. Muitos que encontramos no caminho desistiram também. Com a montanha e a altitude não tem conversa.

Falta muito aí Juli? Falta! Chegou hora que pra nós já estava bom demais o visual mas ainda faltava chão porque a trilha leva bem ao pé da montanha mesmo, láá na frente muito além daquela pessoa que se enxerga de amarelo ao fundo. Fomos até o fim, não teve arrego.

Pausas para o descanso a todo tempo. Não adianta, pra nós que não nos preparamos e andávamos tão sedentários a caminhada não durou 4 horas de ida e mais 3 de volta. Durou 5.5 horas de ida e mais 5.5 horas de volta. O dia todo.


Relembrando Confluência

Onde cabe um, cabe dois, disse um argentino que passava por ali. A barraca realmente é pequena mas fez muita diferença na hora de carregar o mochilão com ela. Pesa a metade da barraca verde além de ser bem melhor para a montanha tanto pela aerodinâmica quanto para manter um temperatura mais confortável a noite já que o espaço interno é bem menor.

Entardecer em Confluência e caminhadas curtas pelos arredores. Pequenos mirantes para contemplar o acampamento de cima. Lembram da foto que postamos lá atrás?

Preparando o café ao amanhecer antes do trekking até Plaza Francia. Mal sabia da imensa pernada que nos esperava.


Relembrando o Vale de Horcones

O Vale de Horcones é onde ainda existe vida antes das grandes altitudes. A pernada com carga começou em 2950m de altitude e levou umas 4 horas até Confluência a 3400m de altitude. O primeiro dos 3 dias do trekking curto ja foi de matar porém o visual compensava a cada passo. Chutando as pedras e tremendo as pernas fomos acompanhados de muito verde, flores andinas e passarinhos por todo caminho assim como as imponentes montanhas que cercam o vale incluindo o Aconcágua ao fundo. Todos podem conhecer o vale que faz parte do “1 day trekking” para os menos dispostos a longas caminhadas.

E tem também a belíssima Laguna de Horcones! Uma pena que seja proibido tomar um banho mas talvez seja por isso mesmo que ela conserva essa pureza de cor e um fundo tão magnífico. Colírio para qualquer olho. Deve ter uns 3 a 4 metros de profundidade.


Relembrando Puente Del Inca

“Impressionam as ruínas de um hotel, em Puente del Inca (2720m de altitude), completamente destruído por uma avalanche em meados dos anos 60, que preservou apenas a pequena igreja lateral. Esse hotel, próximo à ponte natural sobre o Rio Las Cuevas, era uma construção sólida, suntuosa, com acesso subterrâneo a banhos termais – nessa área emergem fontes de água quente, carregada de minerais, borbulhando ininterruptamente.”

Dormimos uma noite num camping local antes de chagarmos no Parque do Aconcágua. Tudo muito rústico porém acolhedor. Comemos na casa de uns locais que abrem as portas da sua moradia para turistas que querem um prato de comida quente na noite fria. Também serviu de aviso aos nossos glóbulos que se preparem para maiores altitudes.


Relembrando Talampaya

O grande Cañon de Talampaya é realmente surpreendente. Parece mesmo o lugar do desenho do Papa Léguas lembram? Pois é. As formações são incríveis, “mijones” de anos para formar essa maravilha e não é a toa que hoje seja patrimônio da humanidade. Perdemos o tour principal por causa de uma chuva que caiu no dia anterior e transformou o acesso num lamaçal onde nem 4×4 passa. Esse tour leva a lugares incríveis mas mesmo assim todo canto lá é incrível e conseguimos fazer esse trekking que já valeu muito a pena. Vimos coisas que quem pega o tour não vê. Esse é outro lugar que gostaria de passar uma noite acampado. Deve ser igual a um sonho em noites de luar. De qualquer forma nem tem como pois quem não conhece se perde fácil nos muitos labirintos curvos e alaranjados. Sendo um lugar inóspito e altamente regulado, sem chance de acampar e curtir sua plenitude.

Fantástico esse lugar, cheguei a comer uma mosca de tão boca aberta que andava lá. Piramos a cada segundo, cada passo era uma cena pancada. Lugar para voltar novamente e conhecer ainda mais.

 


Relembrando o Vale Pintado

Vale Pintado em Ischigualasto. O lugar é incrível, pena que todo o tour do parque é guiado e todos se locomovem nos seus veículos por estradas de chão. Seria muito legal passar uma tarde aí no vale contemplando essas cores, o problema é que é proibido e além disso esse lugar é bem grande e alto. Descer la embaixo significa também que você terá que ser resgatado pois não vai conseguir subir de volta ou pelo menos vai ficar perdido por horas até achar um caminho. Tem coisas que só olhando de longe mesmo.


Estamos de volta!

Sim, chegamos são e salvos! Muito contentes, cheios de novas experiências vividas e adquiridas. E a vida volta ao normal. Ahh! Que saudades da Argentina…das excelentes estradas velozes onde passava o dia todo metendo a pata no acelerador, sem tranqueiras, sem relógio, sem muitos horários e a estrada aberta pela frente. Foram 6300 quilômetros rodados por paragens e paisagens inesquecíveis. Grandes caminhadas, acampamentos e aventuras por todo o caminho. Devemos dizer que amamos a Argentina para sempre, é um país lindíssimo de uma riqueza natural incrível e paisagens realmente surpreendentes além de um povo amigo que sabe o valor que tem essa terra. Tão perto da gente, nossa vizinha estará para sempre ali do lado esperando pelos olhos daqueles que apreciam os cenários espetaculares de naturezas inimagináveis em todas as estações do ano. Esqueçam todas idéias preconceituosas os que as tiverem e quando puderem, vão pra Argentina. A gente recomenda.