Arquivo do mês: dezembro 2013

Salvação em forma de carona

Saímos cedo do club nautico para pegar o bus até Punta Arenas e chegando lá não havia mais lugar. Somente para o dia seguinte e a passagem custava 350 pesos cada mais 100 por bicicleta. Com quase 1000 pesos de passagens poderíamos comer muitas coisas boas e acabamos desistindo de esperar mais um dia sem fazer nada em Rio Grande e como estávamos prontos, partimos para a estrada. Esse trecho era na verdade o pior de todos, um pampa ventoso por uns 400km até o Chile e com o vento contra ainda por cima. A Ju estava com o lance do bus na cabeça e o joelho dolorido mas eu descansado e com vontade de pedalar acabei convencendo ela a nao perder mais tempo em Rio Grande. Pra que. A gente queria descolar uma carona mas tava complicado, estrada deserta e levar aquela tralha toda só com uma pick up vazia. Horas passando e nada, a Ju puta da cara e o pedal sofrido. Se tivéssemos que pedalar tudo seria o inferno. O frio de doer e até chuva de granizo na cara. A Ju estava decidida a voltar e eu a seguir em frente e foi o que fizemos até percebermos ja longe um do outro que o passaporte dela estava comigo. Piramos cada um num lugar da estrada e por sorte voltei uns kms e a encontrei na balanca dos caminhoes com o pessoal do exercito. Nao fosse isso seria o caos do passaporte outra vez. A convenci novamente a seguir em frente e que conseguiriamos uma carona. Eu nao queria de jeito nenhum voltar depois daqueles duros 35km e sabia q se tivesse q pedalar seria realmente um inferno mas no fundo o gosto pela aventura me dizia que algo bom aconteceria em algum momento daquele suplicio. Demorou 50 km e quando vi uma pick up com um casal parou voltando depois de decidirem a nos dar uma carona que nos deixou ao lado do carro a meia noite com direito a bolo de laranja, chimarrão, boa conversa, o valor da balsa e ainda uma carga na bateria do meu carro que depois de 3 semanas congelando no porto estava arriada. Foi mesmo um dia inesquecível de aventura além de uma grande economia que será revertida no que mais precisamos aqui. Comida. \o/\o/

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Club Nautico Rio Grande

No fim nos apressamos para passar o Natal com os amigos de Rio Grande e pegamos um bus de Ushuaia até aqui. O joelho da Ju ta dolorido e isso tambem contou para que deixássemos as bikes descansando por um tempo. Chegando em Rio Grande percebemos que os amigos estavam na verdade ocupados com as correrias de natal e nao estavam com tempo para nós que acabamos novamente ficando sozinhos com a chave do Club Nautico. Fizemos nossas compras para a ceia como qualquer um fueguino e voltamos para o conforto da calefaçao. Fizemos uma parrilla ótima com direito a facturas, vinho e guacamole, curtindo as radios locais e depois dormindo num enorme salão de ginástica do local. Passamos um belo e inusitado natal. Hoje, tudo fechado e as ruas desertas, venta muito mas o céu está magnífico, caminhamos pela orla e daqui a pouco vamos fazer um carreteiro com a carne que sobrou. Enfim consegui conectar o wi fi local depois de 2 dias tentando.
Amanha queremos dar o fora daqui pegando o bus até Punta Arenas para seguirmos com a segunda parte da aventura. Abraço a todos e um Feliz Natal.


Lapataia

Nos 3 ultimos dias estivemos visitando o Parque Nacional Lapataia a apenas 12 km de Ushuaia. Um lugar magnífico. Acampamos ao lado das montanhas e cercados de raposas selvagens que nao se intimidavam em tentar roubar qualquer farelo de bolacha ao redor. Minha mochila foi mordida e tinhamos que desmontar acampamento todo dia para nao deixar as coisas para elas estragarem. No mais, muitas trilhas e dias incríveis com todo tipo de clima por dia. Com isso, vamos nos despedindo da Terra do Fogo, queremos agora voltar o mais breve possivel a Punta Arenas onde abandonamos o carro no porto ha duas semanas atras. abracco a todos.


Fin del Mundo

Enfim Ushuaia. Primeira missao cumprida. Foi emocionante. Fazia tanto tempo que pensava neste lugar e agora estamos aqui. Foram 8 dias desde que iniciamos a pedalada, 500 km, momentos duros, vento, frio, subidas e descidas, cansaço, descanso e muitos momentos mágicos. Tantas histórias em apenas 8 dias. Agora vamos curtir a cidade e seus arredores montanhosos. Ha bastante lugares ao redor. Glaciares, montanhas e o Parque Nacional Lapataia para onde vamos depois.


Rio Grande – Tolhuin

Ontem passamos o dia descansando em Rio Grande e fizemos amigos. Comemos e bebemos muito e ficamos acampados no Clube Nautico onde tinhamos ate a chave, uma cozinha e banho quente. A hospitalidade local foi algo. Gente boa é apelido. Não gastamos um centavo ainda por cima. Foi um lance surreal até na companhia dos amigos Pipi Ochoa e Un Bocha. Ficamos de voltar para comer um assado inclusive. Ai hj pedalamos 120 km até Tolhuin. Foi extremamente cansativo mas chegamos.


Río Grande

Chegamos em Río Grande, Tierra del Fuego. Foram 136km hj e nem sei como conseguimos. Estamos acabados num restaurante e nem sabemos onde vamos dormir. Rodamos 50km de chão ruim no Chile antes da fronteira c Argentina, pegamos chuva, caminhão jogou barro, ventos fortíssimos nas costas empurrando, mas a maior parte foi lateral e muito duro pedalar. O dia ficou lindo depois porém fomos apresentados aos ventos patagonicos que por sorte não estavam contra sendo impossível pedalar. Precisamos descansar um dia inteiro depois dessa. Fui.


Contratempos

Não existe aventura sem contratempos. A essa hora deveríamos estar cruzando a fronteira Chile – Argentina pelo passo Sán Sebastian na Terra do Fogo. Só que não. Ainda estamos em Punta Arenas. Na terça cruzamos o Estreito de Magalhães em 2:30 de travessia com as bikes e de Porvenir começamos nossa tão esperada pedalada. O dia estava lindo e o vento nos empurrava a maior parte do tempo. As bikes muito pesadas mas o pedal estava fluindo mesmo assim. Lá pelas tantas lembrei que tinha esquecido o passaporte no porta luvas do carro no estacionamento do porto de Punta Arenas e isso me deixou tenso, resolvi seguir adiante afinal voltar novamente seria muito trabalhoso e demorado. Tentaria passar a fronteira sem o passaporte já que deviam ter meus últimos registros no sistema. Seguimos o pedal, cansamos muito nas subidas, cãimbras nas coxas. Coisas de primeiro dia de pedalada. Numa grande reta com o vento bombando na costas e só no embalo, parei um instante para regular o sensor do velocímetro que entortava e não marcava e quando olho para trás vejo a Ju caminhando com a bike. Pensei. Deu merda. E deu mesmo. Menos mau se fosse um pneu furado que podia ser consertado mas o que ferrou foi o aro das rodas novinhas que a Ju mandou fazer. Merda feita e aquela cena no meio da ventania e do frio no nosso primeiro dia de pedalada. Havíamos completado 47 km e não havia como arrumar a bike.

A solução? Resumindo foi a seguinte: As bikes ficaram guardadas numa estancia nas proximidades; pegamos carona até o porto de Porvenir onde passamos a noite acampados; pegamos a balsa no dia seguinte no único horário que tinha, as 14hs; chegamos devolta em Punta Arenas as 17hs e fomos atrás do conserto. Feito isso já caiu a noite e cansados tivemos que encontrar um outro hostel para amanhã novamente as 9hs pegarmos a balsa para Porvenir onde vamos pedir carona até a estancia onde deixamos as bikes para seguir em frente. No fim amanhã, não vamos esquecer o passaporte que no final nem era o meu. O que ficou no carro era o da Ju que se enganou e levou o meu. Quanta treta. E a friaca pegando. Até mais pessoal e esperamos que agora a gente vá mesmo sem contratempos a Ushuaia.